Serviço público de resgate aereo ajuda a salvar vidas em Minas Gerais

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Serviço Aéreo de Suporte Avançado salva vidas a partir de trabalho conjunto de órgãos do Estado

 Com 586.528 km² de área territorial, Minas Gerais possui uma extensão similar à de países como França, Espanha e Ucrânia, o que torna um desafio a garantia da transferência de pacientes em tempo adequado, nos casos em que há necessidade de percorrer grandes distâncias. Este é o papel do Serviço Aéreo de Suporte Avançado (Saav), fruto da cooperação entre órgãos do Governo de Minas.

Suporte aeromédico do Governo de Minas conta com seis helicopteros e dois aviões para agilizar o atendimento.     Crédito das fotos: Fábio Marchetto / SES-MG

O Saav é resultado da parceria entre a Secretaria de Estado da Saúde (SES-MG), o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), o Comando de Aviação do Estado (Comave) da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), por meio dos Consórcios Regionais de Saúde. 

Em sistemas de saúde como o dos Estados Unidos, esse tipo de atendimento é feito de forma particular. Graças ao Sistema Único de Saúde (SUS), que se organiza com base nos princípios da universalidade e da equidade, um serviço de alto custo está disponível como um direito para quem necessita.

De Divinópolis a Araguari
Foi o que ocorreu, por exemplo, no último fim de semana do mês de abril, na cidade de Divinópolis, na região Centro-Oeste de Minas. Na ocasião, o Batalhão de Operações Aéreas (BOA) do Corpo de Bombeiros respondeu a casos de pessoas que estavam internadas em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e demandavam transferência por conta da grave situação de saúde.  

Crédito: CBMMG/ Divugação

Após solicitação da Diretoria de Regulação da SES-MG, a equipe aérea entrou em ação para transportar pacientes em estado grave para que pudessem acessar serviços hospitalares mais adequados à situação crítica que enfrentavam.

O Capitão Candeias, comandante de aeronave de asas fixas do Batalhão, relata que um desses casos para realização do transporte ocorreu no sábado à tarde (27/4), quando uma criança de dois anos, portadora de autismo e que estava com dengue, precisou ser transferida para o Hospital Universitário Sagrada Família de Araguari, no Triângulo Mineiro, a quase 500 quilômetros de Divinópolis.

“O pouso precisou ser realizado no aeródromo de Uberlândia, tendo em vista que o aeródromo de Araguari se encontrava fechado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). De Uberlândia, a criança foi conduzida para Araguari por via terrestre, com apoio do Cistri, que é o Consórcio Público Intermunicipal de Saúde da Rede de Urgência e Emergência da Macrorregião do Triângulo do Norte”, detalha Capitão Candeias.

Já no dia seguinte, dois pacientes –  uma menina de 11 meses, com dificuldade respiratória, e um menino de três anos, com pneumonia – foram transferidos de Divinópolis para Uberlândia, também com destino ao Hospital de Araguari. “O modal aéreo nesse caso é extremamente importante, considerando que nosso estado possui dimensões comparáveis à de países europeus e, devido à urgência que o caso requeria e a distância entre os municípios, foi o meio mais apropriado e rápido para o transporte das crianças”, explica o comandante da aeronave.

Complexidade
O número de pacientes transportados tem crescido, saindo de 344, em 2016, para 1.007 no ano passado. O número de vítimas atendidas também saltou de 428, em 2016, para 1.276, em 2023. “Considerando apenas os dois traslados das três crianças, convertendo em horas de voo para estipularmos um custo, é possível dizer que o valor seria de R$ 16.250 para a missão toda”, aponta o Capitão Candeias. Isso reforça a ideia de que somente uma política pública universal poderia garantir o acesso a um serviço tão especializado.

O Saav possui equipes médicas especializadas em Belo Horizonte, Montes Claros, Varginha e Uberaba, garantindo uma resposta rápida e eficiente em situações de emergência médica. 

O batalhão de operações aéreas conta com equipes médicas especializadas que compõem a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) aérea, composta pelos comandantes da aeronave, copilotos de asas fixas e de asas rotativas, operadores aerotáticos, que desempenham funções tanto dentro das aeronaves como em apoio logístico às demandas rotineiras, além das equipes médicas, compostas por um médico e um enfermeiro, que tripulam as aeronaves para atendimentos pré-hospitalares e inter-hospitalares. 

O comandante do CBMMG narra o passo a passo dos trâmites das operações. “Quando há um pedido, inicialmente recebemos, por e-mail, toda a documentação referente à solicitação de transporte aéreo, feita pelo SUSFácil”. 

“A equipe médica de plantão, de posse de toda documentação, faz a triagem, realizando contato com os hospitais de origem e destino, para a verificação da disponibilidade de vaga, e avalia as condições clínicas do paciente para certificar se este possui essa habilidade para o transporte aéreo. Em seguida, são verificadas as condições de apoio logístico para que a equipe médica possa ser conduzida do aeroporto para o hospital. Finalmente, após a estabilização do paciente, é possível efetivar o deslocamento até o aeroporto”, descreve Capitão Candeias.

O Saav conta atualmente com seis helicópteros e dois aviões e, considerando o transporte terrestre efetivado pelo Samu 192, a cobertura alcança 93% do território estadual.