Concentração magnética elimina água no processo de apuração do minério de ferro

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Minas Gerais na rota do desenvolvimento sustentável da Vale. Tecnologia brasileira é a única no mundo

A planta-piloto será capaz de concentrar 30 toneladas por hora de minério a seco, utilizando a tecnologia de separação magnética, feita por meio de imãs de terras raras

O Estado de Minas Gerais sedia iniciativas estratégicas da Vale para tornar suas operações cada vez mais sustentáveis. Um exemplo é a planta-piloto de concentração magnética de minérios de baixo teor de ferro, inaugurada recentemente no Centro Tecnológico de Ferrosos (CTF) da empresa, em Nova Lima, que não utiliza água no processo de beneficiamento. A tecnologia brasileira conhecida pela sigla em inglês FDMS (Fines Dry Magnetic Separation), é única no mundo e foi desenvolvida pela New Steel, empresa comprada no fim de 2018.

A unidade custou US$ 3 milhões é o primeiro passo para a construção de uma planta industrial, que terá capacidade de produção de 1,5 milhão de toneladas por ano. O investimento no projeto é de aproximadamente US$ 100 milhões e o start up da planta comercial está previsto para 2022. “A New Steel coloca a Vale na vanguarda dos investimentos em tecnologia de processamento de minérios. Vamos continuar buscando soluções que aumentem a segurança de nossas operações”, afirma diretor-executivo de Ferrosos da Vale, Marcello Spinelli.

A planta-piloto será capaz de concentrar 30 toneladas por hora de minério a seco, utilizando a tecnologia de separação magnética, feita por meio de imãs de terras raras. A Vale estima que, em 2024, 1% de toda a produção da empresa seja feita por meio do uso da tecnologia, que já tem patente reconhecida em 59 países.

Hoje, o percentual de minério de ferro processado a seco pela empresa chega a 60%. Com a New Steel, a Vale estima que, em 2024, 70% da produção seja beneficiada sem adição de água no processo de beneficiamento e sem uso de barragens de rejeito. Dos 30% da produção a úmido restantes em 2024, porém, 16% terão rejeitos filtrados e empilhados a seco. Para isso, a Vale vai investir nos próximos anos US$ 1,8 bilhão na filtragem e no empilhamento a seco.

A empresa também já estuda formas de utilizar esse resíduo como insumo na indústria de construção civil, além de outras iniciativas como coprodutos. Apenas 14% da produção continuará sendo processada pelo método convencional, de concentração a úmido e destinação em barragens ou cavas de minas desativadas.

 

Agenda climática

A Vale irá investir ao menos US$ 2 bilhões para reduzir em 33% suas emissões absolutas diretas e indiretas (escopos 1 e 2) até 2030. As emissões diretas são provenientes de operações próprias e as indiretas, de origem externa usadas no processo produtivo, como o consumo de energia elétrica. A meta está alinhada com o Acordo de Paris, que estabeleceu um limite máximo de aumento da temperatura média global de 2ºC até 2100. O valor do investimento é o maior já comprometido pela indústria da mineração no combate às mudanças climáticas. Com a iniciativa, a Vale pretende se transformar em uma empresa com emissão líquida zero em suas operações próprias e nas indiretas, liderando o setor para uma mineração carbono neutra.

A empresa também anunciou outras ações para contribuir com a redução dos efeitos do aquecimento global. Uma das metas é recuperar 500 mil hectares de áreas degradadas em 10 anos e também alcançar a autossuficiência em energia renovável. Além disso, uma importante contribuição vem sendo feita desde o início das operações da empresa. A Vale apoia a proteção de mais de 1 milhão de hectares de floresta, o que representa um estoque de carbono de aproximadamente 600 milhões de toneladas de CO2, que se contrapõem a emissão de gases poluentes.

Em Minas Gerais, são mais de 68 mil hectares de áreas protegidas no Quadrilátero Ferrífero, incluindo 19 Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) da Vale. As RPPNs representam importante contribuição para a ampliação das áreas protegidas no país, auxiliando na manutenção dos recursos hídricos, no manejo de recursos naturais, desenvolvimento de pesquisas, no equilíbrio climático e ecológico, entre outras funções ambientais.

RPPN do Horto e Serra do Caraça, em Mariana