Planeta em Febre: “S.O.S! Terra Chamando!” detalha o risco climático


S.O.S! Terra Chamando! – Ep4 – Planeta em Febre

🎵 Sobe som 🎵

Dr. Cruz (Pablo Aguilar) : ÉÉÉ, Terra….. (barulho termômetro). Os antitérmicos não conseguiram conter a temperatura, não! Subiu 1 grau e meio nas últimas 12 horas. Preocupante!

Terra (Kailane Vinício): De onde vem essa febre, Dr?

Dr. Cruz: Vamos por partes. Lembra que eu falei da acidose? Então, está confirmada. Chama Acidose Respiratória Aguda. Seu pulmão está comprometido e o Gás Carbônico acumula no corpo. Daí, se associarmos a pneumonia, pode vir mesmo a febre.

Terra: Tá explicado…esse meu pulmão não tá bom há tempos… Eu lembro do perrengue que foi 2023…

Dr. Cruz: 2023? Me fala mais sobre isso?

Terra: Sim! Mês após mês, eu senti minha temperatura subindo. Se tinha febre, vinha o calafrio.

Dr. Cruz: Uhum…

Terra: Mal eu resfriava um pouco…a temperatura subia de novo! Sufocante! Eu estou toda descompensada e bem irritada também!

🎵 Trilha,🎵

Adrielen Alves: A Terra segue com a temperatura em alta – o tão temido 1 grau e meio, que não poderia subir de jeito nenhum está lá registrado no termômetro. E as previsões são cada vez mais preocupantes! (fogo, vento, raios, relâmpagos e trovões)

Mas pelo menos a memória da Terra, nossa personagem principal, está fresca. Bem fresca! Interpretada por Kailani Vinício, ela lembrou de 2023 – ano que mudou pra sempre a história da nossa Terra. Nossa. Minha e sua. A história do nosso planeta!

Dr. Cruz: Mas, calma aí! Muita ‘’calmannn’’ nessa hora! Essa história de 2023..nan nan não… começou lá atrás…de 10 mil anos pra cá é que tudo vem, digamos,….se agravando!

Adrielen: Bem lembrado! Dr. Cruz, que ganha vida aqui pela voz e atuação de Pablo Aguilar, refresca também a nossa memória sobre o que falamos nos últimos episódios – sobre a época do colapso ambiental.

Terra :Sem meias palavras, Dona Adrielen: é o Antropoceno!

Adrielen: Ok. Direto ao ponto: em 2023, a panela de pressão apitou! O planeta aqueceu, está aquecido, irá aquecer – passado, presente e futuro. Temos futuro? A ver! Coloca aí 15 graus no seu ar condicionado ou ligue o ventilador, se puder, porque neste episódio vamos falar sobre o aquecimento global. Eu sou Adrielen Alves, jornalista de ciência. Este é o episódio quatro da primeira temporada do podcast: S.O.S! Terra Chamando! Uma parceria da Empresa Brasil de Comunicação e da Casa de Oswaldo Cruz.

🎵  Sobe Trilha 🎵

Adrielen: Em 2023, foi registrado um recorde de temperatura que não se via desde a era pré-industrial, segundo a Organização Mundial de Meteorologia. A média da temperatura da atmosfera terrestre chegou a quase 15 graus Celsius – ou seja, cerca de 1 grau e meio acima daquela registrada em 1850, início do monitoramento.

Você deve estar se perguntando: uai, 15 graus? Não seria, então, uma temperatura amena? É que a média inclui todo o globo – das regiões polares, que podem chegar a 40 graus negativos – aos desertos, que podem ultrapassar os 50 graus Celsius. Tem friaca e tem calor infernal! Daí, a média! Sacou? No Brasil, por exemplo, naquele ano a temperatura média ficou em 24,92 graus Celsius, segundo o Inmet – Instituto Nacional de Meteorologia. O fato é que de junho a dezembro de 2023, a temperatura bateu recordes em relação ao mesmo período dos 172 anos anteriores, segundo o Observatório Europeu, Copernicus. E pior, em dois dias, ultrapassou a fronteira apocalíptica de 2 graus Celsius acima da média térmica da chamada Era Pré-Industrial.

Terra: De lá pra cá, é recorde atrás de recorde!

Adrielen: É o aquecimento global, real!

🎵  Sobe Trilha 🎵

Adrielen: Quando a gente fala em aquecimento global, a gente fala no aumento da temperatura do planeta – da atmosfera aos oceanos. Esse “quentinho” da Terra, que de fofo não tem nada, é causado principalmente pela ação humana. Sem enrolação, como diria a nossa personagem:

Ponto 1 – A espécie humana polui de muitas formas. É agropecuária, queima de combustíveis fósseis – como carvão mineral e petróleo – atividade industrial, lixo, incêndios e desmatamento. Nosso modo de viver é poluidor.

Terra: Não há Terra que dê conta com essa sobrecarga!

Adrielen: Ponto 2 – Já ouviu falar em tudo que é demais, passa? Então, os gases, que normalmente estariam na atmosfera – como o gás carbônico, o metano e óxido nitroso – aumentam de forma acelerada com tantas ações humanas. O que era para proteger, se torna maléfico. Os gases poluentes agravam o Efeito Estufa. Pra não restar dúvida, o geógrafo Diego Liberal explica tim tim por tim tim.

Diego Liberal: Se trata, na verdade, do agravamento do Efeito Estufa, que é fenômeno natural e imprescindível para a vida na Terra. A vida só se desenvolve por essa condição térmica propiciada pela contenção desse calor no nosso planeta. O que se discute hoje é o que leva a intensificação desse processo? E já é sabido que temos a participação humana como um dos atores principais. Desde a Revolução Industrial, no final do século XVIII, temos a atividade antrópica atuando de forma cada vez mais intensiva, aumentando as concentrações de carbono na atmosfera. Todo esse carbono que estava armazenado no subsolo sob forma de carvão mineral, petróleo ou gás natural, vem pra superfície terrestre, é queimado e é adicionado à composição da atmosfera. O início da era dos combustíveis fósseis que vem se avolumando com o desenvolvimento econômico da sociedade moderna é o principal elemento que contribui com o agravamento do Efeito Estufa. Aumenta a quantidade de gases, aumenta a retenção de calor na Terra.

Dr. Cruz: Eu já até imagino o “Ponto Três”…

Adrielen: Ponto 3. Com o Efeito Estufa agravado, tudo – eu disse tudo – é impactado pelo aquecimento global. Daí vem: derretimento de geleiras, temporais, secas históricas, extinção de espécies e degradação de biomas. É o aumento da temperatura no ar, na terra, e nos oceanos.

Afonso Gomes: Como grande parte desse calor que a gente está gerando a mais, desde a Revolução Industrial, vai pro oceano, a gente está aquecendo tanto a atmosfera quanto o oceano. Desde junho de 2023, a gente está tendo recordes de meses mais quentes da história, tanto na atmosfera quanto o oceano. Vamos estar quebrando recordes um atrás do outro, o oceano tem uma capacidade limitada, ele é muito grande, tem muita capacidade, mas isso é limitado também. Então, a gente está seguindo para um caminho, onde tanto a atmosfera quanto o oceano, estão chegando em níveis muito altos de temperatura, nunca antes vistas.

Adrielen: Olha aí 2023 de novo, na fala do oceanógrafo Afonso Gomes, que trabalha no Instituto de Ciências Oceânicas de Bermudas, Estados Unidos. Ele alerta para os recordes de temperatura nunca antes vistos, ou sentidos, por nós. Só um gostinho da explicação dele, porque Afonso Gomes volta por aqui no próximo episódio.

🎵  Sobe Som 🎵

Adrielen: Se olharmos com atenção redobrada para 2023, um marco do superaquecimento da Terra, é preciso olhar para o presente, para o agora, marcado por eventos climáticos extremos. Em 2024, os temporais do Rio Grande do Sul.

Fernanda Ferreira – Moradora Porto Alegre: Conseguimos  no salvar mas perdi a casa, perdi tudo.

🎵 Sobe Som 🎵

Adrielen: Presente marcado também pela ação humana, tórrida, criminosa, que ateia fogo na mata. Os incêndios contribuem com fumaça tóxica. E poluição, você já sabe…

🎵  Som de  Incêndios 🎵

Adrielen: Mas, no presente conectado com o planeta, tem seres humanos que também lutam pela Terra. Quem não acompanhou a batalha de bombeiros, brigadistas e voluntários para apagar os incêndios em 2024? No Distrito Federal não foi diferente. Várias forças se uniram para combater as chamas na Floresta Nacional de Brasília.

Coronel Pedro Aníbal: ‘’O nosso trabalho aqui se resume ao resfriamento de incêndios subterrâneos e a vigilância para que possa haver novos incêndios. O incêndio subterrâneo é um dos mais difíceis porque nós não vemos onde está queimando, só há fumaça. É matéria orgânica depositada no solo e é o foco mais difícil de combater.’’

Adrielen: Há seres conectados à biodiversidade. Como a bióloga e fotógrafa, Laura Pennafort, que mora na Inglaterra, mas se uniu aos esforços do Projeto Arara Azul, para resgatar as espécies ameaçadas pelas chamas no Pantanal também em 2024.

Laura Pennafort: Foi super emocionante assim, porque eu acabei indo junto com a professora Neiva no carro e depois acompanhando elas no primeiro momento que ela teve, assim, visitando as áreas queimadas, né, e ela ficou super emocionada, com a situação muito triste. Sabe vários ninhos que eram monitorados já há anos e sempre tinham filhote, foram queimados. Câmera trap, que eles usam para monitorar, foram queimadas também. Foi uma tragédia muito grande. E, enfim, eu fiquei muito emocionada, era minha primeira vez no Pantanal Sul, e assim, tava uma destruição. Foi realmente muito triste. E eu continuei ajudando eles, né, eu continuei gravando tudo, fiz imagem de drone com as áreas queimadas e ajudei eles a monitorar os ninhos também, subindo nas árvores para ver como estavam os filhotes dos ovos, se estava tudo bem, isso foram três semanas de trabalho muito intenso, em que eu fiz um pouco de tudo.

Terra: De novo, vou perguntar: vocês não entendem que tudo está conectado?

🎵 Trilha 🎵

Adrielen: Já falamos de passado e presente. Mas, quando o assunto é futuro….vem a incerteza! De acordo com o último relatório do clima das Nações Unidas, ainda neste século, as temperaturas podem subir até 3 graus Celsius.

Dr. Cruz: Emergência! Emergência! 

Carlos Nobre: É o maior desafio que a humanidade já enfrentou. E nós temos realmente que combater essa emergência climática, nós temos que reduzir muito rapidamente as emissões, muito quase que a jato, reduzir ou zerar as emissões, criar gigantescos projetos de restauração florestal para remover uma grande quantidade de gás carbônico da atmosfera quando as florestas estão recrescendo. E é isso, e é lógico, junto com isso, buscar aumentar muito a resiliência de todas as populações com relação a esses extremos climáticos que não têm mais volta.

Adrielen: Presente, passado e futuro. São tempos verbais, são nossa história – da humanidade – na história da Terra. O tempo de agir contra o aquecimento global e as mudanças climáticas é agora!

🎵 Sobe Som Instrumental – Terra 🎵

Adrielen: ‘’Por mais distante, o errante navegante, quem jamais te esqueceria”, diz Caetano Veloso, na música Terra. Escrita em 1968, quando estava preso, em plena Ditadura Militar. Canção nascida da emoção de ver a foto do planeta Terra, tirada durante a missão Apollo 8 da NASA, em uma capa de revista.

Adrielen: E você? Consegue ver o planeta Terra? Que a força nos mande coragem!

🎵  Sobe Trilha 🎵

Dr. Cruz: Terra, voltamos ao estágio de alerta vermelho, com essa elevação da temperatura. Sinto muito!

Terra: Me sinto desidratada….

🎵 Vinheta Encerramento 🎵

Adrielen: No quinto episódio:

🎵 Trecho do quinto episódio 🎵

Adrielen: O impacto do aquecimento global nos oceanos, mares e rios.

🎵 Vinheta Encerramento 🎵

Adrielen: Este é o S.O.S! Terra Chamando! O podcast sobre a saúde do planeta. Uma co-produção da Empresa Brasil de Comunicaço e da Fundação Oswaldo Cruz. Eu sou Adrielen Alves, responsável pela idealização, roteiro e apresentação. A pesquisa e a produção são de Anita Lucchesi e Teresa Santos. A edição de conteúdo é da Julianne Gouveia. A revisão é da Ana Elisa Santana. A locução de trechos do livro do Marcelo Gleiser é do Thiago Regotto. Fazem parte da comissão técno-científica: Carlos Henrique Assunção Paiva e Dilene Raimundo do Nascimento, da Casa de Oswaldo Cruz; e Carlos Machado de Freitas da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca, ambas unidades da Fundação Oswaldo Cruz. Os atores são Kailani Vinício e Pablo Aguilar. O apoio à produção ficou por conta de Adriana Ribeiro e Victor Ribeiro. A operação de áudio é de Álvaro Seixas, Thiago Coelho e Reynaldo Santos, Thales Santos e Reinaldo Shiro. A edição final e a sonoplastia são da Pipoca Sound. Este episódio usa áudios de André Felipe Cândido e Dominichi Miranda de Sá, da Casa de Oswaldo Cruz, da Fiocruz, além do acervo da Empresa Brasil de Comunicação. Até a próxima!

🎵 Vinheta de Encerramento 🎵

🎵 Som de fita voltando 🎵

Beatriz Arcoverde: Também contribuíram na Coordenação de Processos, implementação e publicação nas plataformas: Equipe da Radioagência Nacional – EBC,  Interpretação em Libras: Equipe de tradução da EBC, na edição de vídeo para o youtube: Mateus Araújo e o responsável pela arte: Vinícios Espangeiro.

🎵 Vinheta de Encerramento 🎵



Fonte: Agência Brasil

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